• 0
  • STORIES
    • Despojos de Guerra – Set of Portraits – Award Estação Imagem 2021
    • Voo de Esperança – Fotografia do ano Prémio Estação Imagem
    • Os Continuadores – Contemporary Issues Prize – Award Estação Imagem 2020
    • GRANDE HOTEL Beira – Daily Life Honorable Mention – Award Estação Imagem 2020
    • Almas – Award Estação Imagem 2019
    • Northern Warrior
    • Lab inDance
    • Belonging to someone
    • Flames that hurt
    • Stop, listen, look
    • Benjamin
  • TRAVELS
    • Latitude Zero
  • GRANTS
    • Minho People of Salted Skin
    • The Works and the Days
  • About
  • Workshop
  • Multimedia
  • Shop

Leonel de Castro

Photographer
  • STORIES
    • Despojos de Guerra – Set of Portraits – Award Estação Imagem 2021
    • Voo de Esperança – Fotografia do ano Prémio Estação Imagem
    • Os Continuadores – Contemporary Issues Prize – Award Estação Imagem 2020
    • GRANDE HOTEL Beira – Daily Life Honorable Mention – Award Estação Imagem 2020
    • Almas – Award Estação Imagem 2019
    • Northern Warrior
    • Lab inDance
    • Belonging to someone
    • Flames that hurt
    • Stop, listen, look
    • Benjamin
  • TRAVELS
    • Latitude Zero
  • GRANTS
    • Minho People of Salted Skin
    • The Works and the Days
  • About
  • Workshop
  • Multimedia
  • Shop
Instagram Facebook
info@LeoneldeCastro.pt

Spoils of War – POY 2021 – Award of Excellence

Talvez a marca mais persistente da fraqueza humana seja a guerra, expressão brutal da incapacidade de viver em harmonia com o outro: o que pensa diferente, o que reza diferente, o que é diferente. A Guerra Colonial hipotecou ou aniquilou o futuro de milhares de jovens portugueses, na maioria forçados a lutar por algo em que não acreditavam ou que não percebiam: a alegada defesa da pátria mascarava a obstinação imperial de Salazar, que o resto do mundo rejeitava. Estertor da ditadura, deixou cicatrizes, físicas e psicológicas, em quem lá andou. E os deficientes das Forças Armadas, que só ganharam respeito e direitos por se unirem numa associação nada militarista, são, em simultâneo, símbolo do horror a que foram submetidos e exemplo da determinação com que se reinventaram e reergueram.
José Silva, 72 anos. Mal chegou à Guiné, percebeu que a guerra era injusta e sem sentido, ao contactar com a dura realidade das populações locais. E muito injusta seria também para ele próprio, que, cego e sem mãos na sequência de uma explosão, em 1973, não pôde ter a vida com que sonhara, conduzindo camiões pela Europa fora.
Albino Loureiro, 72 anos. Antes de ir para a tropa, em Felgueiras, por influência de um padre progressista, cantava música de intervenção contra o regime. Estava a dias de deixar Moçambique e voltar a casa quando uma mina lhe levou a perna direita e o cegou de um olho. Tinha apenas a quarta classe, mas lutou para estudar e realizou-se como professor primário.
Ilídio Lázaro, 71 anos. Esteve quase a conseguir escapar para França, mas foi detido e fizeram dele comando. Em Moçambique, foi dado como morto após um acidente de viação, em 1973, mas saiu vivo da morgue, fazendo jus ao apelido familiar. Sobreviveu a todos os combates, mas passou anos a lutar contra os “fantasmas” do stress pós-traumático.
Abel Fortuna, 71 anos. Mal desembarcou na Guiné-Bissau, sentiu-se um intruso em terra alheia, a defender o regime fascista a que cada vez mais se opunha. Nessa terra alheia, uma mina deixou-o sem mãos e praticamente cego, em 1971. Destacado desde o início na vida associativa, preside à delegação do Porto da ADFA.
António Marques, 78 anos. De Pindelo, perto de Viseu, foi parar à Guiné-Bissau em 1964, como soldado de cavalaria. As emboscadas começaram mal lá chegou, até que, um ano depois, uma explosão lhe ditou o fim da guerra, mas não do calvário. Ainda via de um olho, mas o mau acompanhamento médico na estrutura militar acabou por o mergulhar na cegueira total.
João Vasconcelos, 76 anos. Já era professor primário quando o roubaram à vida para ir para a guerra. Em Angola, no ano de 1968, coube-lhe desarmadilhar oito granadas em cadeia. Só uma rebentou, levando-lhe o braço direito e a audição do mesmo lado, enchendo-lhe o corpo de estilhaços. No seio da ADFA, chegou a dirigir o “Elo”, jornal oficial da associação.
Manuel Sousa, 76 anos. Foi levado para Moçambique, deixando para trás a mulher, grávida da filha de ambos. Em 1967, uma emboscada atirou-o para uma cadeira de rodas. Ainda tem alojada na coluna a bala que o paralisou.
ilvério Rodrigues, 73 anos. Perdeu os dois olhos e os dois braços em Bolama, na Guiné, ao preparar uma instrução. Não chegou a combater nem era belicista, mas acabou por fazer carreira como oficial do Exército, especialmente em funções sociais e de apoio a reclusos e a outros deficientes. É um caso notável de resiliência e de autonomia, apesar das limitações.
Francisco Janeiro, 73 anos. Em 1970, em Cabo Delgado (Moçambique), pisou uma mina. Perdeu a perna e o olho direitos, entre outras mazelas. Revoltado desde logo com a forma como a instituição militar o tratou, fez parte de acções de protesto dos deficientes militares, ainda antes do 25 de Abril, e tem sempre sido muito participativo na ADFA, a cuja delegação de Lisboa preside.
Fernando Ribeiro, 70 anos. Tentou, por duas vezes, dar o salto para França para escapar a uma guerra em que não se revia, mas acabou em Moçambique, onde perdeu os membros inferiores, em 1970. Acabou a estrear um lar só de militares, em Lisboa, e é hoje dos poucos que lá restam. Notabilizou-se no desporto adaptado.
©
All photographs, videos and/or multimedia content on this site are property of Leonel de Castro and/or
stated publication and are protected under international copyright laws. The photographs may NOT be
downloaded reproduced, copied, stored, manipulated, used or altered in any way, without prior written
permission from Leonel de Castro and/or stated publication. No images are within Public Domain. Use of
any image as the basis for another photographic concept or illustration is a violation of copyright. Violation
of copyright will be actively prosecuted.
Design by
error: Content is protected !!